16 de dez de 2011

Minha melancólica vida

Nessas tardes silenciosas de chuva e ventania, costumava pegar meu cobertor amarelo, um travesseiro baixo, ligar a TV, me deitar no sofá e assistir aos desenhos que passavam na TV Cultura. Assistia aos desenhos e pensava comigo mesma: a vida é suave. Eu tinha 8 anos de idade.

Aos 10 anos, nessas mesmas tardes melancólicas, ia até a biblioteca da nova escola, escolhia o livro mais adulto que a bibliotecária me permitisse, levava para casa, sentava em minha escrivaninha improvisada e lia. Devorava os livros como se não tivesse tempo de lê-los mais tarde, como se a vida fosse um breve momento que poderia acabar com um suspiro. E acaba mesmo.

Aos 12 anos - um pouco mais crescida - ficava impaciente por não poder sair para falar com minhas supostas amigas e tudo o que eu queria era crescer logo e ser bonita para que as pessoas gostassem de mim. Ao invés disso minha mãe trancava a porta e preparava um bolo de chocolate para mim enquanto eu assistia a alguns episódios de Lost e tentava decifrar o porquê daqueles números estranhos que deveria ser digitados de tempo em tempo.

Aos 14 anos passava a maior parte das tardes chuvosas - e das não-chuvosas também - dentro de um hospital, falando com médicos, fazendo exames e sendo encaminhada para psicólogos. Tentavam entender como uma menina bonita, magra e nova poderia ser tão depressiva e tão maluca a ponto de não comer por se achar gorda.

Aos 16 anos passava as tardes chuvosas em seu quarto, trancada, fazendo edições no PhotoFiltre e PhotoScape, lendo vários livros, escutando muita música e se perguntando quando finalmente estaria recuperada para sair à rua, para conseguir dar 10 passos sem que suas pernas tremessem devido a fraqueza resultante de um colesterol alto e uma arritmia forte.

Aos 17 decidi me libertar de tudo. Comecei a escrever tudo o que passava pela minha mente após o pessoal do hospital chegar á conclusão de que meu problema não é e nunca foi físico, mas sim de alma, e que o físico se abalava porque havia muita coisa dentro de mim que estava presa. E desde então eu escrevo, para todos lerem o quão maluca, sombria e sarcástica eu sou.
Pena que não descobri antes que escrever funcionasse tão bem. Se o tivesse, com certeza hoje não teria essas marcas de cortes nos pulsos ou essa falta de confiança com todos à minha volta.

Se eu faria algo de diferente? Provavelmente não. Talvez um pouquinho pior.

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2 comentários:

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

liindo texto.
as vezes as pessoas não entendem, o quanto é importante para nós escrever, pois transmitimos o que pensamos, sentimos, fazendo com que coloca se para fora os nossos sentimentos,vontades,desejos.

Camila . disse...

Lindo, lindo e lindo.
Escrever para sobreviver não é mesmo?

http://www.papel40kg.com